terça-feira, 29 de junho de 2010

O CÂNCER E AS REAÇÕES PSICOLÓGICAS

Eis o câncer. Um diagnóstico cada vez mais frequente em nosso cotidiano, porém pouco compreendido. É uma doença que carrega um forte estigma que está relacionado ao sofrimento, dor, mutilação, perda do atrativo sexual, baixa da auto-estima, alteração da auto-imagem e iminência de morte.

No ato do diagnóstico, o paciente se vê perdido, abalado e desestruturado emocionalmente. É um momento que causa grande sofrimento, angústia e desequilíbrio psicológico tanto ao paciente quanto aos seus familiares. O paciente pouco consegue absorver as informações passadas pelo médico quando a surpresa da notícia toma conta de sua mente de forma avassaladora.

O paciente oncológico entra em um estágio de reações psíquicas que se divide em 5 fases, são elas:

- Negação

- Revolta

- Barganha

- Depressão

- Aceitação

São fases que se apresentam desde o momento do diagnóstico, mas que podem variar de pessoa para pessoa. Algumas pessoas passam mais tempo por uma determinada fase, outras mais rapidamente. Tem aquelas que invertem as fases e, ainda outras, que não passam por todas elas.

A primeira fase, a Negação, é caracterizada pelo fato do paciente duvidar do diagnóstico, considerando a possibilidade do médico ter se enganado, trocado exames ou não ter real certeza do que se trata. É quando o paciente não consegue admitir que isso esteja acontecendo com ele.

Na fase da Revolta ou Raiva, o paciente passa por essa experiência muitas vezes de forma agressiva, seja com os outros, seja com ele mesmo. Pode se sentir culpado ou procurar outros culpados pela doença, pode se voltar contra o mundo, até contra Deus, caso tenha religião. O fato é que é uma fase em que o paciente não dá oportunidade às outras pessoas de o ajudarem, retribuindo a atenção das pessoas com agressividade e incompreensão de si mesmo. Normalmente, se questiona por que com ele.

Tudo parece ser digerido aos poucos pelo paciente e seus familiares, até que o paciente tenta negociar sua melhora com promessas. É chegada a fase da Barganha, quando o paciente procura atingir a cura através de alguma mudança nas suas atitudes e projeta mudanças pessoais futuras. É o momento em que negocia com a vida e com Deus, prometendo ser uma pessoa melhor, mais solidária, alimentar-se com mais qualidade, etc. É a fase do desespero por fazer algo que o tire dessa situação.

Com a fase da Depressão, o paciente se sente derrotado. Muitas vezes, pode se isolar, apresentando dificuldades nas relações interpessoais e podendo agravar seu estado de saúde, pois a depressão está ligada à baixa do sistema imunológico e, com isso, aumentam as possibilidades de surgirem outras doenças, do câncer se alastrar mais rapidamente ou, até, do organismo não responder favoravelmente ao tratamento que está sendo realizado (quimioterapia e/ou radioterapia). É a fase mais comum e é esperado que o paciente passe por ela. Nessa fase, ele chora, mostra-se desanimado, apático e sem energia.

Por último, chega-se à Aceitação. É a fase final e é quando o paciente consegue olhar de frente a problemática e inicia seu enfrentamento. É uma fase importante, pois o paciente decide tomar as rédeas do tratamento, procura se informar e ser mais participativo de todo o processo.

Ao longo de todas as fases, é necessário que o paciente possa contar com um apoio social, ou seja, a rede familiar e de amigos. O paciente que sofre sozinho, sofre mais, pois conta com pouco recurso interno para enfrentar o estigma, a doença e o tratamento. É necessário, também, que ele receba apoio multiprofissional, no qual o paciente será tratado em sua totalidade, auxiliando no tratamento médico. Entre outras áreas da saúde, o paciente conta com o apoio psicológico, nutricional e fisioterápico. Além disso, pode obter orientação jurídica, pois a lei assegura alguns direitos e isenções ao paciente de câncer.

Outro ponto fundamental é que ele seja informado de tudo sobre sua doença: o tipo de câncer, as formas e procedimentos de tratamentos, os sintomas e o prognóstico esperado. Quanto mais informações o paciente possui, maior será sua participação durante esse processo e menor será a sua ansiedade. Essa compreensão da doença e do tratamento e envolvimento, por parte do paciente, em cada etapa, favorecem o bom prognóstico e a melhor qualidade de vida.

Cristiane Vizzone
Psico-oncologista GAPC
CRP 06/75975

2 comentários:

Anônimo disse...

Minha avó está com cancer no pancreas,ela sente muita dor,nenhum remédio faz efeito mais,ele diz que ás vezes tem vontade de gritar de dor.........
Ela tem se alimentado normalmente,é diabética tipo 1,esta com 46 quilos,o pior de tudo isso é que a consulta dela ficou marcada só para o dia 6 de janeiro,temo oq possa acontecer até lá......

Anônimo disse...

Minha avó está com cancer no pancreas,ela sente muita dor,nenhum remédio faz efeito mais,ela diz que ás vezes tem vontade de gritar de dor.........
Ela tem se alimentado normalmente,é diabética tipo 2,esta com 46 quilos,o pior de tudo isso é que a consulta dela ficou marcada só para o dia 6 de janeiro,temo oq possa acontecer até lá......